O combustível GPL- Auto em Portugal

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O combustível GPL- Auto em Portugal

Mensagem por rdd48856 » 25 set 2005, 16:00

Com o objectivo de esclarecer este assunto enviei um e-mail à empresa Holandesa IWEMA e o seguinte e-mail às principais gasolineiras(Galp, Repsol, BP e CEPSA):
“Venho por este meio solicitar uma informação pelas razões que passo a referir.

O GPL auto é uma mistura de propano e butano em proporções variáveis(a legislação portuguesa, ao contrário da de outros países europeus, apenas exige que o GPL auto tenha uma octanagem mínima) põe-se a questão de saber qual destes gases é que dá melhor performance e consumos. Sendo licenciado em Química fiz alguns cálculos e cheguei à conclusão de que o combustível que permite menor consumo(12%) e até mesmo um ligeiro acréscimo de potência (0,6%) é o butano. É que estes gases não são vendidos ao peso mas sim ao volume. 1 litro de propano tem 500g enquanto que 1 litro de butano tem quase 600g.Também segundo os meus cálculos a estequiometria(proporção quantidade de combustível/quantidade de ar) para o butano é diferente da do propano. Mais, os actuais sistemas de alimentação de GPL em veículos automóveis baseiam-se em tabelas de tempos de injecção que supõem uma determinada % de butano na mistura, se essa % for muito alterada a performance, os consumos e as emissões poluentes são grandemente prejudicadas. Apesar das condições climatéricas permitirem em Portugal a utilização de GPL-Auto com 80% de butano, na prática tenho conhecimento de revendedores independentes que vendem propano quase puro. Pelas razões atrás mencionadas julgo ser do interesse da .............. demarcar-se destas práticas tornando pública a % de butano praticada no seu GPL-Auto.”

As respostas foram as seguintes:

Da IWEMA: “We test our cars in Holland on the mixture 30/70, 50/50 and 70/30. In the test results you find a difference of almost 10% in performance and fuel consumption between pure propane and a mixture with only 30% propane and 70% butane.” Traduzindo: “Testamos os nossos carros na Holanda com misturas 30/70, 50/50 e 70/30. Nos resultados encontramos uma diferença de quase 10% em performance e consumo de combustível entre o propano puro e uma mistura com apenas 30% de propano e 70% de butano”(a favor da última).

Da BP(as restantes gasolineiras não responderam):
O Sr. Joaquim Oliveira confirmou basicamente o que eu já tinha aqui escrito, isto é, TODO o GPL-Auto é propano comercial, ou dizendo de outra forma, o GPL-Auto em Portugal não existe. O que é vendido em todas as bombas, com ou sem marca, é o mesmo produto que serve para abastecer Hospitais, Empresas, Hóteis, Residencias Particulares, etc. Além disso o produto é por vezes partilhado por várias gasolineiras, pelo que nem sequer se põe a questão de saber se poderiam haver variações da composição que pudessem favorecer esta ou aquela gasolineira em particular. O único aspecto a ter em consideração, digo eu, é a possibilidade de algumas bombas puderem não ter os vedantes em boas condições deixando passar óleo. Também me foi confirmado que não são adicionados quaisquer aditivos ao GPL, por razões óbvias(partilha de clientes de propano comercial).




NOTA: Gostaria de agradecer a gentileza da BP Portuguesa nas pessoas dos Sr.s Manuel J. Paulino e Joaquim Alberto Oliveira que, ao contrário da Repsol, da Galp e da CEPSA que até ao momento não responderam (refira-se que o serviço de apoio ao cliente da Galp me disse inclusivamente que eu não tinha o direito de saber essa informação), me forneceram telefonicamente todas as informações prestadas.

Dito isto vamos ver como é que se chegou a esta situação ímpar na Europa, que é a de ter um GPL-Auto que não está adaptado às nossas condições climatéricas com as consequências que a seguir se verão. Quando em 1990 se começou a discutir a questão da legalização do GPL a Direcção – Geral de Energia encetou contactos com as gasolineiras sobre a possibilidade da criação de uma rede de distribuição. Da análise da situação resultou que a mesma era logisticamente inviável, uma vez que o número de postos e o consumo não justificariam o envio de um camião com uma mistura específica de GPL-Auto. Apenas estariam interessadas caso fosse possível o fornecimento de propano comercial. Perante isto a DGE preparou a legislação de forma a tornar a situação possível, não fixando, volto a salientar ao contrário dos outros países europeus, as % de butano e propano que nos países do sul da europa variam entre os 80% de butano na Grécia e os 70% de butano na Espanha(em Itália é 75%).
Fazer os cálculos do aumento teórico de consumo GPL x gasolina em carros bi-fuel não é uma tarefa fácil, porque a densidade energética das gasolinas varia muito desde que o chumbo foi retirado e substituído por aditivos oxigenados como os álcoois e éteres. No entanto fazer os cálculos do aumento do consumo de propano puro em relação a uma mistura com 75% de butano e 25 % propano já é mais fácil. Assim o aumento é de cerca de 9%. Consultando o simulador do site da Tartarini (http://www.tartariniauto.it/calcolo.php) e fazendo o truque de colocar o preço da gasolina(em Italiano benzina) igual ao do GPL vemos qual é o factor de aumento do consumo que estão a utilizar nos cálculos: 18%. Ou seja em Portugal o aumento teórico do consumo é de 27%, para um carro que mantenha praticamente a mesma potência a gasolina e a GPL. Não esquecer que se por cada 50km fizermos 2,5km a gasolina estamos a diminuir este factor em 5%.
Consequências:
Negativas: Aumento do custo do combustível.
As emissões de NOX são aumentadas em relação a uma mistura rica em butano, retirando assim ao GPL uma das suas principais vantagens ambientais.
A autonomia a GPL é prejudicada.
O propano é mais caro do que o butano. Isto é o GPL poderia ser mais barato com mais butano.
A combustão do butano é mais lenta, tendo um comportamento mais parecido com o da gasolina.
Problemas de excesso de pressão que podem dificultar o abastecimento. O propano tem uma pressão de vapor muito superior ao butano, assim a 40ºC a pressão de vapor do propano é de 15 bar, enquanto que a do butano é de 3,5 bar. Imagine-se isto no Alentejo.
As programações das centralinas Italianas quase de certeza absoluta não têm em conta um GPL de 95% propano, pelo que todo o mapa deve ser reprogramado sob pena de não ficar perfeito. Para terem uma idéia os tempos de injecção devem ser aumentados em 22% para o nosso GPL por comparação com o Italiano, assim em centralinas em que o mapa é descarregado da Internet isto deve ser tido em consideração.
Positivas:
Pelo menos há constância no combustível, isto é, aquela situação de desafinação ao mudar de bomba não se verifica.
A octanagem do propano é muito superior à da gasolina ( e superior à do butano), assim quem aumentar a taxa de compressão (estática ou dinâmica) pode retirar partido disto diminuindo o consumo e aumentando a potência.
Podem comprar o GPL mais barato que encontrarem que ele é todo igual.

P.S. Ao contrário do que julgava, não há nas bombas de GPL qualquer mecanismo de compensação da temperatura, assim abasteçam de manhã cedinho que podem colocar até mais 5% de GPL pelo mesmo preço.

NOTA: Galp reconhece que o seu GPL-Auto é propano puro:
http://www.galpenergia.com/Galp+Energia ... PLAuto.htm

Actualização em 1/5/2007 sobre o GPL da Repsol

Durante o II Encontro Nacional de Instaladores e Consumidores de GPL, nas Caldas da Rainha, tive oportunidade de falar com o Sr. Eng. Eugénio Conceição, da Repsol, sobre alguns assuntos.

1)Mistura Propano x Butano. O Sr. Eng. Eugénio Conceição informou-me que o folheto que a Repsol distribuiu sobre a mistura propano-butano(ver anexo) corresponde mesmo a uma alteração da política da empresa em relação a este assunto. E explicou-me. A Shell(que para quem não sabe é Holandesa, o país, em conjunto com a Itália, com maior tradição no uso do GPL) foi pioneira na introdução do GPL-Auto em Portugal. Nessa altura a formação que foi dada aos seus funcionários informava das vantagens da utilização de uma mistura butano x propano no GPL-Auto da Shell. Designadamente menor consumo(em litros), maior autonomia dos veículos, maior potência, e menos problemas nos abastecimentos(creio que terá a ver com menor pressão de vapor da mistura). Isto é a Shell praticava mistura na sua rede de abastecimentos. Esta informação coincide com uma outra que me tinha sido dada há algum tempo por um instalador que era precisamente que a Shell era a única companhia em Portugal a fazer mistura. Se bem se recordam a Shell foi adquirida pela Repsol. Tinhamos assim uma situação na Repsol antes da aquisição da Shell, em que não se fazia mistura. Depois essas informações transitaram para a Repsol e, em dado momento, foi tomada a decisão de fazer mistura como regra geral, só não o fazendo quando é de todo impossível em termos de distribuição.

2)Teor de enxofre – Uma das vantagens do GPL era o seu reduzido teor de enxofre, quando comparado com a gasolina. Ora até 2009 o teor máximo de enxofre na gasolina será de 10ppm. O Eng. Eugénio informou-me que também o teor máximo de enxofre no GPL irá baixar para 10 ppm, estando já entre os 10 e os 20 ppm.
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