pcta Escreveu:
As pessoas genericamente habituaram-se a comprar 1, 2 ou até 3 telemóveis, roupas de marca, credito para automóvel, credito para casa, credito para viagens, + cartões de crédito ..... vida a credito.... tinha de estoirar. Recordo que os nossos pais e avós compravam quando tinham e colocavam sp algum de lado mesmo pouco que fosse.
Amigo, eu vejo a mesma televisão do que tu, leio os mesmos jornais, ouço a mesma rádio, mas também leio outras coisas, vejo outras coisas e principalmente penso sobre o que dizem e o que dizem(pelo menos a maioria) é para atirar areia para os olhos.
Vamos lá por partes, leia bem e veja se concorda ou não !
Primeiro os números: Temos 4,6 milhões de portugueses em risco de pobreza, após as transferências sociais passam para 2 milhões. Mesmo assim, temos 2 milhões de portugueses em situação de pobreza extrema.
Mais de 1 milhão de desempregados, embora os números oficiais indicam apenas 700 e tal mil, porque não contabilizam os que não estão inscritos no centro de emprego, aqueles que estão em "formação" e já não ganham, os jovens que procuram o 1º emprego, etc. Mais de 700 mil idosos com pensões abaixo do IAS...
Dito isto, são estas pessoas que andam a ter uma vida que não podem ? Que vida é essa ? Comprar comida, medicamentos, pagar a casa(não têm direito a ela?), contas da luz, água, gás, telefone...? São estes que andam a gastar de mais ?
Não, não são !
Então quem são ? São os que ganham um "ordenadão" de 800 euros e compram 2 telemóveis, roupa da boa, automóvel ? Então, mas alto lá, o que é que eu ou você temos a ver com o que os outros compramos ? O dinheiro não é deles ?! Compram a crédito ? E daí, não estão a pagá-lo e ainda por cima com juros altissimos ? Se calhar os bancos não deveriam conceder, não ?
Vejamos o caso de uma casa, a maioria recorre ao crédito porque não tem dinheiro para comprar e o preço de aluguer é o mesmo...Se a pessoa perder o emprego e deixa de conseguir pagar a casa, o que acontece ? Fica sem casa e sem dinheiro, e o banco fica-lhe com a casa e o dinheiro que já pagou. Quem é que sai daqui prejudicado, nós ?!
Quanto aos nossos avós ! Por amor da Santa, a minha mãe(não é avó!), trabalhava de sol a sol desde os 12 anos, ganhava tão pouco que dava para uma sardinha para 4(sim, isto não é lenda) e poupava o quê, o que não tinha ?! Ver voltar a esse tempo ?!
pcta Escreveu:
Tenho fé que isto vai mudar....se correr bem....
Não é uma questão de fé, é uma questão de números, estatisticas, uma coisa leva a outra...
Estão a aplicar exactamente a mesma receita que aplicam há anos, mas mais acelerada, tal como estão a fazer na Grécia e mesmo assim, continua confiante ? Pois eu digo com 100% de certeza, se o rumo não mudar, não iremos ficar o país mais pobre e com o maior nº de pobres da Europa porque isso já é a actualidade, mas os direitos do trabalho irão recuar para o séc. XIX, trabalhamos de sol a sol por uns miseros patacos. Isto acontece porque, como muito bem disse, não produzimos e a receitas destes salazarentos(não têm outro nome) é empobrecer o país, fechar empresas, atirar centenas de milhares de pessoas para o desemprego, reduzir o poder de compra, enquanto isso, uns poucos engordam à GRAAAAANDE !
E continuam a votar nestes poucos que tudo fazem para saquear o país, vendê-lo ao desbarato e meterem a bandeirinha na lapela com o maior falso patriotismo de que há memória e a dizer à boca cheia que tem de ser assim: ROUBAR que menos têm para dar a quem tem mais.
Um último dado, porque eu gosto é de factos, já teve oportunidade de ler o relatório da Comissão Europeia intitulada "The distributional effects of austerity measures: a comparison of EU countries" ? Vou deixar aqui apenas o dado mais importante: Os mais pobres sofrem um corte de rendimento na ordem dos 6%, com estas medidas de austeridade. No lado oposto estão os mais ricos, que sofrem um corte de rendimento de apenas 3% ! De entre os países analizados(aqueles que tiveram "ajuda" do FMI, Portugal, Espanha, Irlanda, Estónia, Grécia e Inglaterra), Portugal foi o mais injusto ao contrário da Irlanda(o mais justo).