Misturas com muito butano não são problema.

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rdd48856
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Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por rdd48856 » 01 dez 2015, 23:02

Na sequência de uma pergunta do user @HugoSeixas ( http://forum.autogas.pt/forum/viewtopic ... 4&start=90 ) que parecia alarmado com a possibilidade da presença de elevadas percentagens de butano no GPL vendido numa bomba específica poder influenciar negativamente o funcionamento do sistema GPL venho esclarecer o seguinte.

O butano tem de facto uma pressão de vapor inferior ao propano (ver figura abaixo de engineeringtoolbox.com), à mesma temperatura, no entanto isso não é impeditivo de um funcionamento correto dos sistemas, antes pelo contrário.

http://docs.engineeringtoolbox.com/docu ... ram-pa.png


Ao contrário do que ocorre nas bilhas de gás, em que o GPL é retirado no estado gasoso (fase superior), ver figura seguinte, no reservatório de GPL dos automóveis o GPL é retirado no estado líquido (por razões que não têm que ver especificamente com o problema em apreço).
Bilhaxdepósito.jpg

Depois segue, sempre no estado líquido, até ao compartimento do motor, onde se encontra o vaporizador (em sistemas de fase gasosa). Este elemento recebe calor do líquido de refrigeração do motor, através do circuito de aquecimento do habitáculo, e utiliza-o para fazer a transição de fase do GPL de líquido para gasoso, garantindo assim uma temperatura mínima de 45ºC e média muito superior, pelo que no limite seria possível ao motor trabalhar mesmo com butano comercial (que nunca é butano puro, tem cerca de 5% de propano). Ver diagrama seguinte.

https://iim.technion.ac.il/wp-content/u ... 08/lpg.jpg

Isto é facilmente comprovado olhando novamente para o gráfico acima apresentado.

No caso das botijas de gás o butano é retirado diretamente no estado gasoso, fazendo a botija de vaporizador, isto é, absorve calor do meio circundante para permitir a passagem do butano da fase líquida para a fase gasosa. Um exemplo prático do que refiro é o caso dos sprays, desodorizantes, por exemplo, que utilizam GPL como gás propulsor e que arrefecem bastante quando utilizados durante algum tempo.

Este modo de funcionamento não pode, por isso, ser utilizado com temperaturas ambientes próximas do ponto de ebulição da mistura de GPL utilizado. Por isso as garrafas a colocar no exterior terão de ser de propano e não de butano.

A existência de pressão dentro do depósito apenas é necessária para “empurrar” o GPL líquido até ao vaporizador (no caso da injeção líquida nem para isso serve, porque existe uma bomba elétrica que transporta o GPL no estado líquido até aos injetores) mas para isso a existência de um teor mínimo de 20% de propano (infelizmente muito inferior ao que se pratica em Portugal) é mais do que o suficiente.

Finalmente uma chamada de atenção para o seguinte. A existência de um GPL-Auto com 95% de propano é que é totalmente inadequado para as nossas condições climatéricas, o que pode ser facilmente visível no gráfico. Assim, num dia de verão no Alentejo poderemos ter temperaturas de 40ºC, o que corresponde a uma pressão de 13 bar dentro do depósito e no caso das injeções diretas, como depois do carro desligado o rail continua a absorver calor do compartimento do motor, poderemos ter pressões da ordem dos 40 bar que se manterão durante bastante tempo, sem circulação do GPL.
Não tem Permissão para ver os ficheiros anexados nesta mensagem.

HugoSeixas
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Re: Porque razão se podem utilizar misturas com elevada perc

Mensagem por HugoSeixas » 01 dez 2015, 23:44

Excelente explicação, muito obrigado.

Deverá ter sido uma mera coincidência começarem os problemas da não comutação para GPL com temperatura exterior baixa (entre 0ºC e 5ºC) com o abastecimento num posto Repsol, mas a verdade é que continua esta situação "estranha" de não haver meio de comutar para GPL de manhã quando vou para o trabalho, e comutar pacificamente quando regresso a casa ao fim do dia.

Não estando directamente relacionado com as percentagens de butano e propano, parece-me que a temperatura exterior está de alguma maneira a ser um factor nesta situação.

Sem dúvida que 100% propano também é prejudicial, e não apenas no Alentejo, temos condições climatéricas semelhantes em quase todo o interior do país. E para além disso, um carro ao sol, com uma temperatura de 40ºC, facilmente atinge 50ºC no seu interior, onde se encontra a grande maioria dos depósitos, o que agrava ainda mais a situação.

IvoOliveira
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Re: Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por IvoOliveira » 02 dez 2015, 17:18

rdd48856 uma questão :

existe algum aditivo comercial que possa baixar a pressão vapor do propano, de forma a que o fornecimento de calor por parte do bloco do motor ao rail, quando o carro está parado, limite o aumento de pressão dentro do rail?

davidfocus
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Re: Porque razão se podem utilizar misturas com elevada perc

Mensagem por davidfocus » 15 jan 2016, 17:41

HugoSeixas Escreveu:Excelente explicação, muito obrigado.

Deverá ter sido uma mera coincidência começarem os problemas da não comutação para GPL com temperatura exterior baixa (entre 0ºC e 5ºC) com o abastecimento num posto Repsol, mas a verdade é que continua esta situação "estranha" de não haver meio de comutar para GPL de manhã quando vou para o trabalho, e comutar pacificamente quando regresso a casa ao fim do dia.

Não estando directamente relacionado com as percentagens de butano e propano, parece-me que a temperatura exterior está de alguma maneira a ser um factor nesta situação.

Sem dúvida que 100% propano também é prejudicial, e não apenas no Alentejo, temos condições climatéricas semelhantes em quase todo o interior do país. E para além disso, um carro ao sol, com uma temperatura de 40ºC, facilmente atinge 50ºC no seu interior, onde se encontra a grande maioria dos depósitos, o que agrava ainda mais a situação.
@HugoSeixas

Li com com atenção o seu problema e sei que o seu sistema é diferente do meu.
Mas o meu faz exactamente o inverso: de Inverno, com temperaturas baixas, pega instantaneamente, parece que nem o motor dá meia volta, seja com propano/nosso GPL Auto quer com GLP Auto espanhol. No verão, com o nosso GPL Auto, basta a temperatura ambiente estar acima de 20º C para o motor ter de dar algumas voltas para pegar. Com o GLP Auto espanhol, com temperaturas ambiente até acima de 35 ºC ele é instantâneo a pegar.
Dai considerar o nosso GPL Auto ser totalmente inadequado para os nossos carros e para o nosso clima.
Nos outros países, o Propano serve unicamente como "impulsionador" perante temperaturas mais baixas, que o Butano devido às suas características não tem.
Por algum motivo na Grécia a mistura é 80/20 butano/propano e, soube agora há 3 horas, que a mistura de GLP Auto espanhol, de há dois anos para cá, a partir de inicio de Junho, nas províncias de Andaluzia, Catalunha, Islas Baleares e Islas Canárias, o GLP Auto passou a ter composição 85/15 Butano/Propano, durante os meses mais quentes.
Elogio a preocupação nos outros países em as gasolineiras tentarem adaptar-se o melhor possível às necessidades especificas dos clientes, de acordo com as realidades existentes e no sentido de resolver os problemas.
Enquanto aqui continuamos a viver na terra plana de Ptolomeu, na idade do carvão, onde todas as formas de combustível que não interessarem nem derem lucro são para estrangular até desaparecer, independentemente do perigo que esta atitude constitua para o meio ambiente.
Vamos continuar espera que algum dia alguém prove o contrário, ou que alguém leia as noticias internacionais e se convença que a terra é redonda, ou que seja obrigado a admitir que a terra é redonda.
Vemos nos escândalos relacionados com o paradigma perdido do diesel, que ninguém admite nem quer admitir, na moda fumarenta e poluente disfarçada de DPF´s diesel, que encobrem a poluição, mas esquecem-se da poluição e do gasto energético para os produzir.
Tapar o sol com a peneira num levou ninguém a lado nenhum e os problemas com o Propano a Granel Auto só vai desaparecer quando as pessoas o deixarem de consumir e, isso irá acontecer dentro de 4 anos se ninguém fizer nada em contrário.
Afinal a culpa é nossa, tivéssemos comprado a diesel, afinal até parece que ninguém sabe a causa do males e dos prejuízos, como se os outros países tivessem o mesmo problema e não o conseguissem resolver, é neste autismo em que nos vimos inseridos.
De nada nos vale a sociedade fotográfica em que vivemos, só para parecer, porque para ser, não somos nada, nem exercemos qualquer cidadania que se prove como sinónimo de civilização na nossa sociedade.
Para fazer alguma coisa neste país, tudo existe na fotografia um aparelho de moralidade e pseudo-incentivos para fazer tudo e mais alguma, com toda a facilidade.
Mas na realidade só existem dificuldades que nos convidam a desistir e ficar pelo caminho.
Não é neste autismo que vamos a algum lado, nem ninguém gosta ver a evolução de mentalidade descrita na diferença de antigamente se andar de carroça e hoje de carro e, o demais continuar ser igual.

forunista
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Re: Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por forunista » 21 jan 2016, 10:04

Só agora reparei neste tópico.

Sem retirar mérito aos outros utilizadores pelo contributo que dão, agradeço e dou os parabéns ao rdd48856 pela excelente explicação que aqui deu.
Nota: Não sou apologista de mensagens que não adiantam nada para um tópico, como a que acabo de colocar, mas para quem tem um trabalho destes(sim, isto dá trabalho!), há que reconhecer e incentivar :)

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Re: Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por Convento » 31 mar 2016, 12:24

Realmente, aqui está um excelente trabalho. Muito elucidativo, e construtivo.
Mas Portugal, é assim, e as grandes marcas petrolíferas, mandam mais que qualquer governante. GPL, com percentagens adequadas para as temperaturas verão/inverno. Isto só em países desenvolvidos.

pcta
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Re: Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por pcta » 31 mar 2016, 13:15

Nós tb somos desenvolvidos...

rdd48856
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Re: Misturas com muito butano não são problema.

Mensagem por rdd48856 » 11 out 2017, 21:08

E aqui está um desenvolvimento nesta questão:

http://forum.autogas.pt/forum/viewtopic ... 17&t=17321

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