Espero que se divirtam tanto como eu, quando li isto. Uma vénia ao autor.
Não respire (reposicão)
Aceite um conselho amigo. Não leia este post.
Um amigo de tertúlia do meu pai pediu-me para falar nas diferenças entre a nossa cultura e a dos EUA. Não encontrei nada de muito relevante, que não fosse o óbvio, para escrever aqui. Depois de ter passado pelo Egipto, Tailândia e Taiwan, ressaltam muito mais as semelhanças do que as diferenças culturais com os americanos.
Os americanos vivem mais as suas religiões, são mais fanáticos e, por isso mesmo, mais coerentes. Esta diferença é profunda e vai ter consequências a longo prazo. Mas não tenho cabeça de momento para discorrer sobre ela.
Assim, tirando o fundamentalismo religioso e a diversidade racial, não há muito de relevante a apontar. Diria que a maioria das disparidades são diferenças de caca. As sanitas, por exemplo. Taiwan também tem as suas idiossincrasias a este respeito, diga-se de passagem.
Ao contrário das portuguesas, as sanitas americanas têm água quase até ao topo. As nossas sanitas têm apenas um pouco de água no fundinho, as americanas estão cheias de água pelo menos até meio. Algumas estão mesmo atestadas.
A desvantagem das portuguesas é óbvia. Quando aviados, temos de ir com a vassourinha limpar os restos que ficam, quais lapas agarradas. Deixamos, depois, a piaçaba num cantinho higiénico. Com as sanitas americanas, os poios flutuam, não se sentindo atraídos pelas paredes da sanita. Mesmo que o excremento seja um pouco mais pesado, e chegue ao fundo, pouco mais necessário será do que puxar o autoclismo.
Inferimos que a sanita americana apenas tem vantagens? Deveria Portugal aprender com os melhores e mudar a sua morfologia sanitária? Bem... a resposta a estas perguntas apenas pode ser uma. Não!
Estando a água a um nível mais elevado, está também mais próxima do cu. E aqui a porca torce o rabo. Certamente, todos vós conheceis a desagradável sensação de se sentir uns chapiscos de água nas nádegas, enquanto expelimos qualquer coisa pelo ânus. Quando os coisos são demasiado pesados lá acontece...
Este problema é exponencialmente mais grave nos EUA. Se os chouriços forem longos, especialmente se brotarem lentamente, não há problema. Entram docemente em contacto com a água e não suscitam grandes revoltas.
Mas é complicado manter um padrão intestinal equilibrado. Aqui, com tanta variedade de comidas, de restaurantes, de solicitações gastronómicas, dificilmente podemos almejar um equilíbrio estável. Agonizamos com os nossos desequilíbrios.
As várias tipologias (direi mesmo topologias, num sentido mais matemático) das fezes levantam problemas diferentes:
- Às vezes, saem vários pequenos tijolos. Sendo duros e pequenos, têm a potência suficiente para causar os desnecessários pingos que violam as forças da gravidade. Um só pingo não seria grave, mas estes seguem-se em catadupa. Geralmente com o mesmo ritmo com que nos desfazemos da obra.
- De quando em quando, saem diarreias intempestivas. Brrraaaaum. Tudo de uma vez. A violência do choque, ainda hoje, depois de três anos e meio de experiência, deixa-me banzado. Quando isto acontece em casa só há uma solução. Sair da sanita e ir para a banheira lavar-me, que aqui os bidés são raros . Se não estou em casa, a primeira coisa a fazer é ir para casa.
- Há ainda as diarreias que, sendo violentas, preferem a persistência à intempestividade. Este é o caso mais antipático e, também, o mais vulgar. Nestes casos, a primeira leva encarrega-se de conspurcar a água. A água fica toda cagada. Quando se dá a segunda evacuação, os salpicos já não têm a natureza da água límpida... É uma grande merda, perdoem-me a linguagem.
Como lidar com estes problemas? Já pensei em três tácticas.
1- Quando se puxa o autoclismo, há um período de três a quatro segundos em que a sanita está vazia. Há que aproveitar a ocasião. É como uma janela que se abre para podermos, momentaneamente, respirar. Este exercício exige uma grande coordenação e rapidez de acções que nem sempre é possível.
2- Pormos os pés em cima da sanita e agacharmo-nos. Será a solução óptima para acrobatas, mas os riscos são evidentes.
3- A estratégia eleita. Encho a sanita de papel higiénico. Assim deixamos de ter água num puro estado líquido e ficamos com um pântano de um mosto consistente que absorve suave e alegremente os calhaus que lá deixamos cair. Uma estratégia bastante prosaica
Eu bem vos tinha dito para não lerem este post. Caso tenha sugestões, a caixa de comentários está aberta.
In http://aguiar-conraria.weblog.com.pt/
Não respire!
Moderador: FLP